Terça-feira, 13 - Maio 2008

Darjeeling

Não consigo achar uma razão específica para explicar tal fato, mas ir a Darjeeling era uma das principais metas desta minha viagem.

Certamente não foi por assistir ao (excelente) filme de Wes Anderson, Darjeeling Limited, já que os personagens sequer chegam a visitar a cidade propriamente dita.

Pode ter sido, talvez, pelas fotos que vi nos guias e na internet da hill station, localizada no nordeste indiano, aos pés do Himalaia.

Após chegar no local, confesso ter ficado decepcionado com a vista, pois o tempo estava bem nublado e em nenhum momento foi possível ver as montanhas no horizonte.

No entanto, não decepcionou o clima ameno (cobertores necessários ao dormir!) e nem a vibe do local, infinitamente mais tranquila que as cidades indianas ao sul de Darjeeling.

Conhecida também como a capital mundial do chá, não é preciso dizer que uma das melhores coisas a se fazer em Darjeeling é passar algumas horas degustando a especialidade regional enquanto se conversa com outros viajantes e locais – ou, se o tempo ajudar, observando o vale abaixo e as montanhas ao fundo.

darjeeling

Darjeeling, quase verão.

Terça-feira, 13 - Maio 2008

Go Riders!

Uma das principais coisas a se fazer na Índia é assistir a uma partida de críquete, a grande paixão nacional.

De maneira similar ao futebol no Brasil, é muito comum ver crianças praticando o esporte nas ruas.

Faltava, no entanto, uma paixão por clubes específicos. Para solucionar isto, criaram a Indian Premier League, um certame milionário no qual participam todos os principais jogadores do mundo.

Em Calcutá fui assistir a uma partida entre os Kolkata Knight Riders, a equipe local, e os Mumbai Indians, de Bombaim.

O estádio é o maior do país e cerca de 70 mil pessoas estavam assistindo a partida – que confesso não ter sido das mais emocionantes.

Embora ambos os times tenham jogadores da mais alta qualidade, como Sachin Tendulkar (o maior jogador indiano de todos os tempos) e Ricky Ponting (capitão da seleção australiana), curiosamente a grande estrela da partida era o dono dos Knight Riders, o ator de Bollywood Shah Rukh Khan, atualmente o maior nome do cinema indiano.

A partida, jogada nos moldes 20-20, criado para tornar o jogo mais atraente para os espectadores e para a televisão, terminou com a vitória dos Mumbai Indians por sete wickets de diferença.

Sim, por mais incrível que pareça, acho que já entendo as regras do jogo!

Sexta-Feira, 25 - Abril 2008

Trilhas & trilhos

Dizem que uma viagem à Índia só é completa com uma longa viagem de trem.

Fato é que o mochileiro que desbrava o país acaba passando diversas noites em vagões de trens – especialmente na nada agradável visualmente “sleeper class”, onde você divide o seu beliche com alguns mendigos, algumas baratas e muitos mosquitos. Imbatível, porém, para conhecer locais e se entreter com longas horas de conversa.

A minha longa viagem, porém, será esta noite, entre Chennai e Calcutá. Resolvi partir para um conforto extra e viajar nos vagões com ar condicionado, fugindo dos beliches da sleeper class – afinal, tratamos aqui de uma jornada de cerca de 30 horas, algo nada fácil se levarmos em conta o calor que faz por estas bandas.

Trem na índia: the way to go.

Quarta-feira, 23 - Abril 2008

Hindu Times, parte um

Não há como negar que a Índia é um dos países mais curiosos do mundo. Passado o choque inicial com a pobreza e as condições sanitárias do local, o viajante atento (caso deste escriba) passa a notar e a enumerar de maneira constante as peculiaridades e curiosidades do povo e dos costumes indianos. Para citar alguns que me vêm à cabeça neste momento:

- Homems usam lençóis de cama como saias. E alguns as transformam em mini saias.

- Não adianta chegar na índia sabendo falar hindu. A língua local muda de estado para estado (assim como o alfabeto escrito).

- Ao invés de fumar cigarros, os indianos costumam mascar algo que se chama Paan (e depois cospem aonde quer que seja o restolho vermelho do negócio).

- Fora de Bombaim, tentam de extorquir de todas as maneiras possíveis. Já havia visitado países com pessoas antipáticas, mas a Índia está na liderança atualmente – tanto pela falta de honestidade das pessoas como pela maneira que tratam turistas, especialmente mulheres estrangeiras. Claro que há os que fazem de tudo para parecer e ser simpáticos.

- Um “hotel” não significa automaticamente um hotel, mas sim um restaurante.

- A comida é igual em todos os lugares e enjoa rapidamente.

- Goa tem mais turistas do que locais e podia ser no nordeste brasileiro ou na costa espanhola.

- Massagens ayurvédicas (ou algo assim) não passam de enganação.

- Os indianos são os piores motoristas do mundo.

- Entender o sistema de reservas de trens beira o impossível.

- Não há como escapar: hora ou outra a diarréia chega.

Tuoo isso e mais outros que em breve lembrarei.

E, apesar de tudo isto, viajar pela Índia ainda é algo fantástico e indescritível por palavras escritas ou faladas.

Quarta-feira, 23 - Abril 2008

As portas da Índia

Em Bombaim, uma das principais landmarks é o “Gateway to India” (“Portal da Índia”), monumento construído no início do século XX em comemoração à visita do Rei George da Inglaterra.

O monumento fica em Colaba, a parte mais turística da cidade, e é um habitual ponto de encontro de locais e estrangeiros.

Na verdade, não é tão impressionante assim pelo tamanho, mas sim pela simbologia de que, ao chegar em Bombaim (ou Bombay ou Mumbai), um viajante tem toda a Índia pela frente.

Gateway to India

Gateway to India, Bombaim.